A força iniciativa privada

Esta semana, visitei duas instituições: a Obra do Berço, da qual sou voluntária, e o Instituto de Educação Cruz de Malta. A primeira é uma organização da sociedade civil, sem fins econômicos, que oferece por meio de trabalho social e trabalho socioeducativo, proteção social básica a crianças, adolescentes, jovens, adultos e famílias provenientes de comunidades de alta e altíssima privação social da zona sul de São Paulo. A segunda é uma escola particular fica na zona leste de São Paulo e atende 550 alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio. Foi inevitável fazer um paralelo entre a realidade destes dois espaços.

A Obra do Berço tem um convênio com a Prefeitura de São Paulo. Infelizmente, a verba pública não consegue atender plenamente as necessidades da instituição. Isso impede, por exemplo, que sejam trazidos aos atendidos o que há de melhor ou mais moderno em diversos âmbitos. Já a Cruz de Malta, que se mantêm exclusivamente com recursos próprios, se desdobra para oferecer aos alunos atividades e projetos em sintonia com os novos tempos e suas demandas.

O abismo entre o público e o privado é enorme! E a iniciativa privada vem fazendo o que o governo não faz. Cada vez mais, se envolve em iniciativas de cunho social para diminuir, de alguma forma, as diferenças sociais e educacionais. Apoiam ongs, mantém institutos próprios, promovem campanhas ... Vem fazendo o que o governo deveria fazer. Nunca foi tão necessário preparar a criança e o jovem, sobretudo os carentes, para o futuro. O governo não dá conta.

Na verdade, cada um de nós – que tem o privilégio de ter uma profissão, um negócio ou um bom emprego – tem de fazer um pouco pelo próximo. Se não cedermos talento, tempo e recursos para ajudar, no futuro breve, o Brasil não terá pessoas capazes de desenvolvê-lo. Não teremos mão de obra e nem cabeças pensantes que transformem a sociedade.

Temos, sim, de arregaçar as mangas e contribuir de alguma maneira. As melhores iniciativas que eu conheci até agora, pensando especialmente na população mais carente e sem acesso ao que há de melhor em educação e saúde, vêm da iniciativa privada. Pessoas como nós, que querem passar pelo mundo deixando sua contribuição.