A linha tênue entre ética e crime

A linha tênue entre ética e crime

Na semana passada, falei aqui da ética, levantando uma reflexão pessoal sobre atitudes comportamentais que podem fazer a diferença no dia a dia empresarial. Hoje, dentro do mesmo assunto, quero falar um pouco sobre a linha tênue que separa a falta de ética do crime. Muitas pessoas falaram comigo sobre o post e mostraram a preocupação real de fazer o possível para não colaborar com a corrupção, com o desvio e a sonegação de impostos e com atitudes que fazem do Brasil um país de atitudes cada vez mais suspeitas, duvidosas. E como é difícil manter-se 100% correto!

Vejamos: o empresário pode não sonegar impostos, mas, com as altíssimas cargas impostas pelo governo, certamente terá de contratar um excelente tributarista, que encontre manobras e brechas que permitam alguma ‘economia’ na tributação. Isso não é antiético, mas, se não for realizado totalmente dentro da legalidade, pode se tornar até criminoso. É um limite extremamente tênue entre usar a lei a seu favor ou burlá-la.

Em relação aos famosos “caixa 2”, o governo quer sancionar uma lei que permita que suas peripécias de arrecadação de campanha sejam simplesmente esquecidas, perdoadas. Por analogia, muitos empresários pensam: “Se o governo pode, por que não eu?”, e o país pode virar uma enorme sonegação. É falta de ética por toda parte e, no caso do franchising, acarreta em sonegação de royalties – algo grave e punível com quebra automática de contrato.

A ética também está presente na venda das unidades franqueadas. Quando uma franqueadora não divulga seus balanços na COF, maquia números ou, simplesmente, os esconde dos futuros franqueados, com medo de expor a sua verdadeira realidade, está agindo de maneira criminosa – e não apenas antiética. E quando uma franqueadora utiliza a verba do fundo de propaganda para qualquer coisa que não seja benéfica para a rede franqueada, também comete um crime, porque a verba do fundo é da rede – e não uma receita da franqueadora.

Entendem como simples questões que podem parecer questões de falta de ética podem virar crimes? Vamos refletir sobre isso!