Mediação: está na hora de quebrarmos paradigmas

A partir de um evento do qual participei, nesta semana, o Global Pound Conference Series- 2017, apoiado pela  CAM - CCBC, refleti bastante sobre as quebras de paradigmas necessárias para institucionalizar aMediação no Brasil.

Apesar de o Brasil ser um país essencialmente litigante, onde tudo vira conflito e todo conflito é resolvido na Justiça, existe pouco – ou nenhum – espaço para o diálogo. Mas, é necessário entender, nas esferas relacionais e jurídicas, que nem tudo precisa ser litigioso, com alto custo, duro, inflexível e truncado. Muitas coisas podem, devem, precisam ser simplificadas. E a Mediação surgiu justamente para tornar mais simples, mais igualitária, transparente, equilibrada, rápida e barata a solução de um conflito.

O que ocorre é que, para aceitar essa forma mais pacífica, é preciso, além de quebrar o paradigma do “não serei tão litigante”, romper um segundo paradigma, o da inflexibilidade. Além disso, existe uma questão que corre em paralelo, substanciada por alguns advogados, em propor acordos ou Mediação, em muitas situações, pelo temor de serem  considerados  por seus clientes como “fracos, ruins de briga, maus advogados”. E, assim, muitos deles preferem empurrar por anos questões que poderiam ser resolvidas em semanas.

O terceiro paradigma a ser rompido é o dos obstáculos que a própria parte precisa transpor para chegar ao diálogo. Em muitos casos, a parte litigante nem sequer sabe o que ela deseja naquele processo! Na Mediação, ela é conduzida à reflexão que a faz perceber quais são seus interesses para a solução do conflito e, também, quais são os interesses da outra parte. E, então, quando um percebe o outro, a solução emerge.

Eu gostaria de convidar a todos os que leem meus posts a fazer reflexões pessoais e profissionais sobre os conflitos que vivem hoje. É um exercício bem simples, mas, que faz com que se comece a enxergar a Mediação. Basta refletir: você sabe exatamente o que deseja que aconteça para que seu conflito seja solucionado? Em relação à outra parte, também sabe quais são os interesses e necessidades do outro em relação à solução do conflito? Está disposto a quebrar paradigmas para solucionar essa questão? Se você conseguir ao menos refletir positivamente sobre o assunto, já estará pronto para entender e participar de uma Mediação.