Qual é a melhor marca da feira de franquias? Depende...

A ABF Franchising Expo, maior feira de franquias do mundo, será realizada em São Paulo, nesta semana. De quarta a sábado, milhares de pessoas visitarão o Expo Center Norte em busca de realizar o sonho de ter o negócio próprio ou de ampliar seus investimentos – sim, porque franquia, há muito tempo, deixou de ser apenas para quem tem um dinheirinho guardado ou recebeu uma indenização: há grandes players no mercado, multifranqueados e investidores de porte que sabem que há boas oportunidades sob bandeiras fortes.

Em época de feira, desde a primeira edição, e lá se vão uns bons 20 anos, eu ouço a mesma pergunta: “Mel, visitarei a feira, quais marcas são as melhores?”. E eu tenho a mesma resposta, que nunca agrada a quem me pergunta: “Depende de vários fatores...”. Vamos a eles:

1)     Uma marca consagrada – McDonalds, O Boticário, Habib´s, Wizard, Spoleto, China in Box, entre outras – é uma boa opção? – Pode ser, mas, ela tem um plano de expansão disponível em sua região? Ou haverá canibalismo entre franqueados? Ou o mercado dela já está tão saturado que ela está expandindo para mercados em que não tem público? É preciso avaliar esse contexto, porque essas marcas também fecham unidades franqueadas – assim como todas as redes o fazem!

2)     Identificar-se com o produto e o segmento é fundamental. Mas, gostar de pão de queijo é diferente de gostar de assar pão de queijo – Já falei isso em meu primeiro livro, o “Franchising na Alegria e na Tristeza”. Uma cafeteria envolve lidar com alimentos, abrir cedo e fechar tarde, fazer compras, lidar com funcionários, com o público... Ter uma loja de sapatos (a paixão de toda mulher) requer saber, principalmente, gerir estoque e fazer compras – e não é seu gosto que prevalece, mas, o que vende bem. Está preparado para encarar a realidade?

3)     Não é melhor eu assinar logo o contrato na feira, antes que eu perca a região que está disponível? – Não, nunca faça isso. Primeiro, porque é contra a lei: a lei 8.955/94, que rege o sistema de franquias no Brasil, dá ao franqueado dez dias para analisar a COF – Circular de Oferta de Franquia, antes de assinar qualquer documento. Isso não é à toa, é para que ele consiga analisar o pré-contrato, o contrato, possa submetê-los a um advogado e, principalmente, converse com franqueados e ex-franqueados da rede. A lei apenas diz: não entre num negócio no escuro. É uma segurança. Você não perderá nada segurando sua ansiedade. Ao contrário, você só tem a ganhar.

4)     É bom fugir de marcas desconhecidas? – Nem sempre. Pense que todas as marcas que citei acima já foram completamente desconhecidas e tiveram seus dez primeiros franqueados. O que importa é investigar a situação real da empresa. Ela tem saúde financeira ou possui quatro, cinco CNPJs e inúmeros protestos? Ela possui unidades próprias e algum tempo de mercado ou nunca operou o próprio negócio, atuando apenas na teoria? Ela oferece um negócio com potencial ou é um modismo, como as franquias de produto único (lembre-se das paleterias mexicanas, cupcakerias, brigaderias, todas que foram febres momentâneas).

5)     E eu, sou um franqueado em potencial ou estou vivendo um momento em que me acho franqueado? – Comprar uma franquia por impulso é o pior negócio. Se você perdeu o emprego, não compre um emprego, procure um novo posto de trabalho como funcionário. Se seu filho/esposa/marido/irmão não consegue desenvolver uma carreira, dificilmente ele poderá gerir uma franquia. Se você é um visionário, odeia regras e quer revolucionar o mercado, não será um bom franqueado. Avalie o seu perfil antes de tomar qualquer atitude.

Eu poderia escrever mais algumas páginas sobre esse assunto, que adoro! Mas, já escrevi dois livros (tem também o Franchising na Real), que trazem muitas dicas para franqueadores, franqueados e potenciais franqueados. Ainda nesta semana, falarei um pouco sobre como os franqueadores devem agir na feira. Até lá!