Reflexões sobre Mediação: vale a leitura

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Estive no I Seminário de Mediação e Arbitragem Empresarial, organizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no Rio de Janeiro. Foi um evento de conteúdo extremamente rico. Afirmo que foi um dos mais interessantes que participei até o momento.

Destaco, de forma especial, a palestra da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi, que mostrou, inclusive com exemplos práticos, como os métodos não-adversariais são importantes para compensar as deficiências do Judiciário. Ela apresentou argumentos tão interessantes para justificar sua tese que decidi compartilhar alguns deles com vocês:

- O Judiciário tem deficiências que a Mediação pode ‘driblar’ – “Todos sabem que um processo que tramita na Justiça Comum costuma demorar. E nem sempre, é possível esperar por muito tempo para solucionar um conflito. A Mediação é menos custosa e mais rápida”.

- A Justiça Comum dá mais voz aos advogados do que às partes; a Mediação as empodera – “Numa audiência, nem sempre as partes são ouvidas. Os advogados falam muito mais do que elas. Por isso, é comum que as partes não saiam satisfeitas após uma sentença ser proferida. É um julgamento de partes tendenciosas. Na Mediação, são as partes que falam e tentam chegar a um acordo.”

- A Mediação considera os sentimentos envolvidos no conflito e pode até manter a relação entre as partes – “Na Justiça Comum, as decisões são tomadas, apenas, com base nos fatos. Em nenhum momento, há espaço para se tratar de sentimentos – como mágoa, aflições, etc. Na Mediação, como as partes têm de buscar uma solução que agrade a ambas, é possível estabelecer diálogos assertivos, considerar a realidade de cada um e até reatar laços após solucionadas as pendências. Muitas vezes, para chegar a um entendimento, é preciso que um se coloque no lugar do outro, o que humaniza o processo”.

- A Mediação ajuda cada parte a refletir e entender sua responsabilidade no conflito – “Como já foi citado, a decisão de um conflito por meio da Mediação é fruto da decisão entre as partes. Neste sentido, durante o processo, cada um vai entendendo também a sua responsabilidade para que o conflito se estabelecesse”.

- As pessoas desejam uma justiça mais moderna, ágil e ‘humana’ – “Estamos num momento em que precisamos ter paz social, mas isso só é possível por meio da justiça. E não há tempo para esperar muito tempo por ela: as pessoas querem uma justiça mais moderna, ágil e humana, com plena percepção dos dramas sociais. A Mediação, seguramente, responde estes anseios”.