Constelação Familiar: respeitando a nossa origem

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Há algum tempo, falei aqui sobre Constelação Familiar. Trata-se de uma técnica, criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, que vem sendo utilizada no Direito como um método alternativo de resolução e conflitos. Apenas para relembrar como funciona esta metodologia, em grupo,  o terapeuta que conduz a Constelação apresenta o problema a ser solucionado. Depois, elege membros daquele grupo para representar as partes envolvidas no problema. Esta vivência permite deixar claras a origem, relação e conexões que envolvem um conflito, facilitando o entendimento e a resolução do mesmo.

Acompanhando o trabalho de Bert Hellinger, vi que ele e sua esposa, Sophie, comentaram sobre a crise brasileira durante o Seminário Internacional de Constelações Familiares em Brasília, em 2016. Para eles, “a chave para sairmos disso como nação é olharmos para os fatos obscuros do nosso passado histórico e honrarmos aqueles que vieram antes. Por uma razão simples: tudo aquilo que excluímos de nossas vidas nos prende e tudo aquilo que incluímos e aceitamos, nos liberta”.

Assim, eles acreditam que enquanto não dermos aos povos de nossa origem – índios, africanos e portugueses – o espaço, respeito e sentimento de pertencimento e inclusão adequados, nosso país continuará a ser ingovernável.

Hellinger explica que os índios foram mortos ou catequizados, proibidos de seguir suas tradições e, até hoje, lutam para viver em suas próprias terras. Já os africanos foram escravizados e seus descendentes sofrem com o preconceito e menores oportunidades. Em relação aos portugueses, são alvo de piadas desrespeitosas e apontados por muitos como causa da corrupção sistêmica que se instalou no país.

Assim, enquanto continuarmos a violar os direito de pertencimento e a ordem, que nada mais é que respeitar a origem, as raízes, não seguiremos adiante, construindo uma nova história, um novo futuro. Talvez – e isso não é Hellinger quem diz, é uma visão pessoal, os alemães sejam o povo mais bem-sucedido da Europa porque não escondem sua triste história. Por mais que sintam-se culpados pelos terrores da II Guerra Mundial, eles desculpam-se, mantêm viva a memória para as próximas gerações, para que os atos terríveis jamais se repitam e não riem ou tripudiam sobre os acontecimentos. Quem sabe, essa é uma lição que precisamos aprender com eles?