Por que eu participo de congressos e palestras

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Eu costumo participar de muitos eventos. E, às vezes, sou questionada sobre o fato de reservar parte do meu tempo para ouvir especialistas de outras áreas: há quem ache que não há conteúdo muito relevante sendo disseminado atualmente.

Pois eu digo a essas pessoas que elas podem se surpreender, desde que escolham bem os eventos que prestigiarão e os palestrantes que ouvirão. Nesta semana, por exemplo, participei do Congresso Nacional Brasilshop, realizado pela Alshop – Associação Brasileira de Lojistas de Shopping. Duas palestras, especialmente, me chamaram muita atenção e me trouxeram informações relevantes, que compartilho aqui.

Na primeira delas, George Homer, CEO da GH & Associados, Brian Dummong, Diretor da Mahogany, e Georgeos Frangulis, CEO da Oakberry, falaram sobre Layout e Visual Merchandising. Eles chamaram a atenção dos participantes sobre o mundo self service em que vivemos atualmente, principalmente em relação ao varejo: o consumidor escolhe, compra, paga e até vende seus produtos sozinho, porque tem à mão um smartphone ou está à frente de seu laptop, então, a tecnologia está tornando o mundo do varejo – e, nele, as franquias estão incluídas – muito mais dinâmico e com a necessidade de entender como se trabalha mais e melhor nos multicanais. Nunca foi, portanto, tão necessário apostar no branding como forma de conhecer o comportamento do consumidor, do mercado e dos números que o regem.

Outra palestrante que me chamou atenção e agregou conteúdo foi Márcia Sola, diretora do IBOPE Inteligência. Ela mostrou as diferenças entre trabalhar com o público que chama de nativo digital – aquela geração que já nasceu na era digital e tem como características de consumo o pensamento gráfico, a gratificação imediata, a rapidez, a agilidade e o fato de evitar qualquer zona de atrito, que inibe suas compras – e o migrante digital, que é a geração que nasceu na era analógica e migrou para a digital, com seu pensamento linear e necessidade de consumo presencial e sensorial. Segundo a palestrante, atender aos dois públicos é o desafio das marcas, atualmente, que também devem entender que o migrante digital é um ‘consumidor em extinção’, porque, em breve, todo o público consumidor terá nascido na era digital – e quem não estiver em sintonia com ele, perderá mercado.

Ela também apontou uma tendência a ser analisada: com a Economia Compartilhada, a forma como se classificam as classes sociais tende a inexistir. Márcia contou que a denominação de classes sociais como conhecemos atualmente – A, B, C, D e E – surgiu porque as pessoas, em pesquisas, não se sentiam à vontade em comentar quanto recebiam de salário. Então, eram feitas perguntas de outro mote, como quantos carros, banheiros em casa e eletrodomésticos elas tinham, para enquadrá-las nas classes. Porém, atualmente, com o acesso de toda a população a serviços como Uber, Airbnb e sites de empréstimo de objetos, como Tem Açúcar?,  pessoas de todos os níveis de poder aquisitivo usufruem de serviços parecidos – e, também, trabalham nas mesmas funções, como no caso do Uber – o que as aproxima ainda mais.

Com tantas coisas interessantes sendo propagadas em palestras incríveis, como eu deixaria de participar de eventos de qualidade? Por isso, eu aconselho todos os profissionais a reservar um tempinho para ouvir, aprender e trocar informações: a visão de outros especialistas nos completa.