Não deixe o incêndio tomar conta da sua rede

Cada vez que uma catástrofe acontece – a exemplo do terrível incêndio de ontem, na catedral de Notre-Dame, em Paris; ou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro; ou ainda o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais – , ficamos perplexos por saber que todo o caos poderia ter sido evitado, e até mesmo vidas poupadas, com medidas preventivas. Foram tragédias anunciadas, que vinham dando sinais havia anos, com alertas documentados de que algo, ou muitas coisas, não iam bem, não estavam de acordo com padrões que deveriam ser respeitados para que a ordem fosse mantida.

Fazendo uma analogia, vivemos diariamente situações que, se não forem bem medidas, controladas, observadas e reguladas, podem nos levar ao caos. Nos negócios, não é diferente. Observo, há anos, que o relacionamento entre franqueador e franqueado não azeda do dia para a noite. A situação nunca chega ao extremo de repente, por uma atitude isolada. É um descumprimento de padrão aqui, uma insatisfação ali, um atraso de entrega de mercadoria acolá e a rachadura da barragem vai aumentando a cada dia, até que o paredão estoura e o lamaçal toma conta da relação.

Nas relações de franquia, quando não se age de maneira transparente – consertando-se os fios sobressalentes de um conflito logo que ele surge, contentando-se ambos os lados – o curto-circuito se instala e, logo, o incêndio toma conta. É preciso que tanto o franqueador quanto o franqueado tenham vontade de agir corretamente, alimentem o desejo de resolver as pendências para manter o relacionamento e fazer o negócio prosperar, dar certo, ou novos conflitos surgirão.

Da posição onde estou, de advogada especializada em relacionamento de redes, vejo que é muito mais fácil prevenir o incêndio, a catástrofe, do que lidar com o rescaldo. Por isso, meu conselho é: que tal, hoje, olhar para seu negócio analiticamente, identificando pontos que podem ser trabalhados preventivamente, para não se ter problemas futuros?

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