Repasse da unidade franqueada não pode ser decisão unilateral do franqueado

Cansado de operar a franquia, que apresenta baixo faturamento, o franqueado coloca um anúncio nas redes sociais e num site de classificados, aciona seus contatos e decide vender a unidade franqueada. Ele consegue um comprador, acerta os detalhes da venda e, então, comunica o franqueador de sua decisão, forçando a marca a aceitar o seu indicado para a operação.

Em muitos casos, para ‘se livrar’ do franqueado-problema, o franqueador aceita o novo candidato na rede, sem avaliar adequadamente seu perfil. E acaba trocando um problema por outro, ainda maior. Com grandes expectativas e sem nenhum preparo, o novo franqueado será muito pior do que o anterior – e isso é a personificação da tragédia anunciada.

Mas, como se deve agir, nesses casos? Se você é franqueado e decide não continuar no negócio, precisa comunicar o franqueador de sua vontade de vender a operação. É fundamental que entrem em um acordo para encontrar um novo operador para a unidade, realizar a recompra pela franqueadora ou, na impossibilidade dessas opções, descontinuar a operação. Nesse momento, ambos devem agir juntos, para que o resultado seja o melhor para todos – inclusive para quem assumir a unidade franqueada.

Todos os procedimentos jurídicos da cisão com o franqueado atual, do processo de seleção e do contrato com o novo franqueado devem ser formalizados, para que haja garantias legais para todos. Dessa maneira, aquela unidade franqueada poderá continuar operando e até terá chance de obter sucesso, sob nova gestão, e o próprio franqueador poderá oferecê-la a um franqueado já aprovado em seu processo de seleção, até mesmo poupando o franqueado que quer sair da rede do trabalho de buscar alguém para comprar a unidade franqueada. Em todas as etapas do relacionamento, o que deve imperar é a transparência e o bom senso, afinal, é possível realizar a cisão de maneira menos traumática.